Bibi

Bibi cabulosa 
encarnada Juju
perigosa 

Bibi não tem 
medo,
essa mulher
impõe respeito 

Bibi não quer
nada 
trocou uma 
vida 
por uma transa 
amada 

Largou tudo 
no caminho,
casa, mãe, filho 
se amarrou 
na pica do Rubinho 

Bibi acredita 
no amor, 
só não tomou 
consciência
que não é amor 
é calor
é tesão
no malandro sensação 

Bibi, acorda 
pra vida, se lambuza 
goza 
com a pica 
querida, 
mas não te esquece

Nem tudo 
que entra 
encontra saída... 

A última novela (antes de “Amor de Mãe”) que eu acompanhei foi a “A Força do Querer”… amei… escrevi na época esses versos, que nunca publiquei, e eles nunca deixaram de clamar pela luz dos olhos públicos… acreditei que nunca ia conseguir publicar porque o momento era aquele… eis que o tempo trouxe de volta “Bibi”… e dessa vez não quero deixar a oportunidade passar… eis aí…

in natura

Paulo Alfuns, poeta

Paraíso Perdido

O filme… jovem é contratado para trabalhar de segurança numa boate, mas, precisamente pra manter livre de perigos o neto do dono da família que é proprietária e trabalha no local… a premissa é bem básica e nós já assistimos a esse tipo de filme antes… só mais um? Nãooooo… Paraíso Perdido é um filme brasileiro realizado pela cineasta Monique Gardenberg com muita sensibilidade, profundidade e que dá um orgulho em ver como nossos filmes podem ser bem realizados, um filme com um roteiro que vc deve ficar atento pra não se perder e que com certeza vai mexer com seu coração, suas emoções e verdades mais profundas, se vc permitir, é claro… O elenco… Primeiramente eu quero dar os parabéns para a atriz Malu Galli que conseguiu fazer o que muitos buscam (ou não) e nem sempre se consegue… ela faz uma cantora que ficou surda, dona de uma interpretação fluída, dotada de muita sensibilidade, ela se fundiu a própria personagem, vc não vê a atriz, vc assiste ao drama em que ela está envolvida e não a reconhece, uma surpresa (boa) quando descobri que era uma das atrizes da novela Amor de Mãe… O jovem Lee Taylor ator competente, tem o tipo do seu personagem, sempre parecendo ter uma nuvenzinha carregada (sobre) a cachola, e com o entresenho franzido… tem muita gente boa, Seu Jorge, ator nato, Júlio Andrade, Marjorie Estiano, Humberto Carrão, Julia Konrad, Hermila Guedes, Nicole Puzzi, Jaloo, Felipe Abib e Erasmo Carlos, outro músico que nasceu também com o dom de atuar…

Queria falar sobre a estória em si (não deixa de ser lida também como um noir brazuca), mas, não em si da estória mas da sua humanidade… Paraíso Perdido tem alguns dos personagens mais humanos que vc vai encontrar por aí, são realísticos, verdadeiros e na sua imperfeição de não buscarem serem outra coisa, conseguem se mostrar humanos, nos seus dramas há superação, justiça, perdão há um abraço enorme pra quem quer ser acolhido, amado e aceito nesse mundo da vida como ela é…

E acho que a grande mensagem da data (24/12) é essa né… abraçar a vida é procurar fazer o melhor (aos outros) e pra vc mesmo…

Foto web

Paulo Alfuns… poeta, blogueiro, cinéfilo, astrólogo, pessoa preta

A Cor do Seu Destino, 1986(?)/87?

O enigma em forma de interrogação, se refere ao ano de lançamento (pra variar, só pra variar, até pra colocar o ano de lançamento de um filme nosso existe dificuldade)…

Posto isso, é um dos filmes dos meus anos verdes, que há muito gostaria de ter revisto, e só agora o consegui através do YouTube (eu não sei se estava disponível a muito tempo, ou se é recente, porque só do ano passado pra cá eu comecei a usufruir do YouTube como cinema), o fato é que assisti a uma única vez, tinha uma cena que não se apagou na minha memória e guardei aquela impressão que mesmo não me recordando em si do filme, ficou o sentimento positivo de algo bom… Blz… vamos lá… é um filme bem vindo, não só na época da sua realização, como agora também por conta do momento (político) sinistro que vivemos, um filme que se é de ’86/87 foi feito numa época de transição política no nosso país, por tanto de agitação, e de uma pré era do que ninguém sabia sobre o que viria pela frente… e veio muita coisa, muita mesmo, se olharmos pra trás em retrospectiva, há muito o que dizer, só que não vou e não quero falar em cada e de cada pesadelo que vivemos como brasileiros pra chegar até aqui, nesse filme de terror (político) cuja saga ainda não fechamos… O Brasil é realmente um país de muitas histórias, no momento algo me diz que se fossemos um filme, seríamos O Poço talvez… Horrível… o filme do chileno Jorge Duran está válido e não está datado (é possível um filme que fala de direitos humanos, ditadores sanguinolentos, liberdade e a luta para mantê-la se torne passado?) Não creio… O filme: Guilherme Fontes faz um jovem (muito jovem mesmo), filho de ex opositores ao regime sanguinário do execrável ditador chileno dos anos 70 (cujo nome não mencionarei, porque nome de demônio não se fala, pra não virar invocação) e que veio morar ainda criança no Brasil… carrega consigo além dos problemas básicos que os jovens em geral tem (dúvidas, imprecisões, insatisfações) uma chaga não fechada e que o persegue nas recordações que tem do seu irmão mais velho (Chico Díaz), assassinado no regime ditatorial chileno… como se curar de algo assim? vida que segue? eu não sei… ao seu desejo de fazer algo, encontra na prima (Júlia Lemmertz), presa e liberta, e que se refugia no nosso país, alguém onde encostar sua dor… A essa situação se mistura outros conflitos que é de todas as idades, mas, na dele mais crucial, que é a sofrência por amor…

O elenco: Momento crítico / fã / declarações pessoais e só mais o quê pra descrever o que vai vindo pela minha mente/coração e as palavras que vão se enunciando… Primeiro, Norma Bengell, faz a mãe, estrela brazuca, fez cinema lá fora também, mas, opera no modo automático (a naturalidade fica meio pendente e o que se sente é o recitar das palavras com a máscara da emoção), atrapalha? Não né… mas podia ter caprichado mais na interpretação… Guilherme Fontes, precisava ter um capítulo à parte só pra falar desse rapaz… e eu sou suspeito pra falar porque sempre gostei de homem bonito, e ele sempre foi lindo demais… direto e reto, as pessoas jovens demais não tem idéia do estrago que ele fez nos 80/90… bonito, talentoso, carismático deixou sua marca no nosso cinema (amém), Dedé Mamata, Um Trem para as Estrelas, estão aí pra não nos deixar esquecer, tenho a impressão que é desses atores que tava na hora e lugar exato pra coisas acontecerem pra ele… a dureza da vida: é quando você é cinéfilo ou simplesmente gosta ou acompanha cinema e percebe que ele cumpriu a sina de muitos que vieram antes dele, de muitos que estão aí, e muitos que virão depois… Guilherme Fontes apesar de todo brilho, foi um daqueles atores que brilharam por certo período, intensamente, mas, numa época determinada… Hollywood, o cinema brazuca e em todos os cinemas do mundo, há atores assim, chegam, nos invadem com sua presença, arregaçam nosso ânus de desejo e depois partem sem fazer segredo… É assim… Ficou eternizado ao menos… Andréa Beltrão… uma atriz talentosa, que me parece assexuada, protagonizou já na Armação Ilimitada uma mina que curtia 02 caras, e aqui também vivência uma personagem que curte aparentemente 02 héteros ao mesmo tempo, um colega de escola, seu namorado (Guilherme) e um professor (Antônio Grassi pagando de gatão)… Gente, esse filme não saía hoje com aquela cena do teacher rodeado de alunas encantadas por ele… Andréa faz sua amante (não saía mesmo, não dá forma tão natural como se desenrola!)… sua forma de atuar se mantém, cristalizada no tempo… Marcos Palmeira, não vou dizer que é o maior, mas talvez um top 3 ou 5 da sua geração! Não dá pra responder… vc que é muito jovem, e só conhece esse moço de algum papel da tv, se quiser saber como além de excessivamente bonito, e talentoso é esse ator, assista esse filme e se puder descubra ou redescubra Dedé Mamata, tu vai ficar é muito surpreendido… Marcos Palmeira não tem o que falar (detalhe não sou um fã) o cara da show, não precisou do tempo pra deixar ele um vinho esplendoroso, já nasceu pronto… magnético, bonito, talentoso não tinha como não virar a estrela que segue sendo até hoje… não, eu não sei aliviar nas palavras, quando eu gosto, eu gosto, e não deixo de falar o que eu acredito que tem que ser comentado… se o cara é foda eu falo, se tem talento menciono, e se a beleza tá incluída no combo, daí que eu vou me desdobrar mesmo… Júlia Lemmertz, a heroína da única cena que eu recordava do filme (lembrando que só havia assistido uma vez nos meus anos mais tenros)… bonita, talentosa, tem presença, e aquela sensibilidade tão fluída que emana das piscianas, é uma atriz cinematográfica, faz a jovem refugiada… no elenco ainda há Paulinho Moska! e eu não reconheci, mas, Leon Góes, o ator gatito e caliente de Veja Essa Canção e que quase brilhou (tal qual Guilherme) por um certo tempo também… não dá pra mencionar um irreconhecível Anderson Muller, e pra meu espanto total um gatíssimo Bruno Gouveia numa ponta com sua banda Bikini Cavadão… e chega, já babei no ovo, no saco, e no pau demais… quem quiser conhecer, é cine brazuca dos mais interessantes… a cópia tá ok, mas, um restauro faria uma diferença (pra melhor)… no YouTube, local onde assisti, há 02 versões com metragens diferentes, optei pela maior, não sei como está então a outra…

Paulo Alfuns – astrólogo, cinéfilo, pessoa, poeta preto

A Rainha Diaba, 1974

É um filme que eu queria assistir faz tempo… porque sabia que é um grande filme do Milton Gonçalves (um dos nossos maiores atores), pela temática (um filme com um personagem sexualmente não-convencional (Diaba), porque é um clássico do cinema brazuca… O cineasta Antonio Carlos Fontoura já deu ótimas entrevistas onde numa delas conta que o grande (gigante) Milton só fez o filme depois de falar com sua própria família e eles derem o consentimento… Ele arrasou, como eu já tinha o filme em mente já imaginava pelo título como poderia ser a sua personagem e não foi nada do que eu imaginei… A Diaba do Milton é um show de sutileza, delicadeza no falar, expressar, cheia de nuances, onde ele nos entrega uma interpretação cheia de camadas e surpresas… e a sua Diaba tá sempre nos surpreendendo… o mal às vezes fala com voz infantil, às vezes envolto numa suave fragilidade que de repente nos surpreende com sua capacidade de causar medo e receio…

O filme: Rainha gay vive cercada por uma corte de bandidos, marginais e pessoas do submundo que ela controla… Todos temem ao mesmo tempo que idolatram a Rainha, especialmente a enorme corte de viados (nenhum sentido ofensivo / pejorativo no termo) que a rodeia… é surpreendente o número de gays ao lado da Diaba… não lembro de nada assim no cinema… e os bandidos todos a respeitam e temem… pra salvar a pele de um dos seus seguidores ela decide jogar na fogueira um tipo qualquer, numa dessas armações típicas do gênero e só não sabe que o sacrificado é muito bom… Stepan Nercessian é o cara… é incrível como esse ator (talentoso) está em muitos dos maiores filmes do cinema nacional, sei quase nada sobre o Stepan, mas, sei de assistir, que o cara tá em tudo que é filme que é clássico e sempre deixando uma boa impressão da sua presença… carreira de ouro (e pra poucos)… aqui faz um bandido (assaltante) que vai dançar numa traíragem que envolve fumo… só tô dando spoiler… sua partner é feita pela atriz Odete Lara… ela tá incrível… estrela de muitos filmes clássicos também, entrega aqui a maior interpretação que eu conheci do seu trabalho… Odete Lara arrasa e destrói tudo com sua prostituta das antigas (a do cafetão)… são cenas antológicas, numa delas apanha do seu par (Stepan) numa cena com uma realidade, intensidade, pra depois finalizar com sexo… são cenas fodásticas o tempo todo, impossível ficar comentando sem spoiliar o filme todo… o filme é retrato cru de uma época, nas suas vestimentas, imagens, cenografia, uma trilha eletrizante, e uma fotografia setentista que difícil se vê (sabe quando parece captar seu próprio tempo?)… Nelson Xavier com seu talento e carisma também deixa sua marca, Zezé Motta entra muda e sai calada numa ponta marcante também em outra cena forte com o ator Haroldo de Oliveira… tem um elenco fodástico, lamentavelmente não consegui e nem conheço todos pra nomear, os conhecidos são Lutero Luiz, uma impressionante Yara Côrtes, o clássico Wilson Grey, Carlos Prieto (que não conhecia e é irmão da atriz Adriana Prieto), Edgar Aranha Gurgel, Kim Negro, Hilton Prado e mais, muito mais figuras originalíssimas… A direção é do Antonio Carlos Fontoura que já tinha me apresentado Copacabana Me Engana (que eu curti), produção Roberto Farias, José Medeiros (diretor de fotografia) e até o nome do cineasta Antonio Calmon se apresenta nos créditos de gente talentosa… cópia ótima, vale muito conhecer… cinema brazuca de muita qualidade pra ser preservado pra eternidade…

Onde assistir – YouTube

Milton (Diaba) e sua corte
Odete Lara e as bichas (sem conotação ofensiva) das antigas

Paulo Alfuns – astrólogo, cinéfilo, poeta preto…

Rebecca está na moda!

Enquanto escrevo, já saíram 04 citações / indicações sobre Rebecca, a Mulher Inesquecível, primeiro filme hollywoodiano do mestre do cinema Alfred Hitchcock… eu mesmo, antes disso já tinha citado o romance no qual supostamente se baseava o filme no meu post Eu, leitor

Direto e reto… zapeando pelo YouTube, já tinha visto a indicação de Rebecca, filme em preto e branco que havia assistido lá atrás na infância da minha infância no século XX (se acaso tivesse o dom de St.Germain, poderia escrever ‘que assisti lá atrás no Egito Antigo’ (brincadeira à parte, todo meu respeito ao grande mestre imortal)… na época, Rebecca não me impressionou o suficiente pra carregá-lo por décadas como uma lembrança suave no coração… (sim, isso acontece… durante anos guardei a lembrança mais divina do O Morro dos Ventos Uivantes, filme do William Wyler, clássico do ano dourado de 1939, daquela que é conhecida como a era de ouro de Hollywood… (já velhinho e idoso, revi depois de 02 séculos infindáveis, a obra que marcou a minha infância mais infância (e que me deu por tabela o segundo livro que li na minha vida, O Morro dos Ventos Uivantes, o livro da Emily (a inglesa, não a de Paris) Bronte, e que deu início a parceria que guiou minha relação cinema/literatura por essa minha vidazinha kafkaniana… assisti em DVD ao Morro… imagine a emoção… uma decepção, que palavras não se encontram pra expressar… Direto e reto… o que me fez assistir Rebecca, depois de tanto tempo, foi uma indicação da colunista Nina Lemos, pra assistir Rebecca, numa nova versão (nem sabia que havia sido refilmado)… Fiquei tão perplexo com sua descrição, que pensei, nossa mudaram toda a história (?), porque nada ali batia com a da estória da ingênua, meio tonta, baseada no livro da brasileira Carolina Nabuco e que “inspirou” a inglesa Daphne du Maurier a escrever algo semelhante (estou sendo finíssimo nas palavras)… fiquei tão estupefato, não com a refilmagem, mas, com a descrição da blogueira, que fui rever Rebecca… a original, é claro (Tinha que ter certeza que o tempo não havia me enganado a respeito)…

Que filmaço (sou levemente exagerado)… como foi bom rever… o filme ficou muito melhor aos meus olhos, que imagens bonitas (do diretor de fotografia George Barnes), como é fácil perceber a grandeza de um cineasta só pela estatura de alguma das suas obras… Primeiríssimo lugar, o filme é aquilo mesmo, sua estória não mudou, ao contrário, é a mesma mas vista com os olhos de uma experiência que eu não tinha… vou classificar Rebecca, com uma palavra do nosso tempo… sociopata (encantadora, admirável, manipuladora, sinistraaaa)… é o que Rebecca é na leitura da persona de alguém vista através da atualização do conhecimento sobre o comportamento humano no século XXI… Laurence Olivier… outro achado (tá no Morro também o danado)… nunca fui um fã (ser fã é uma coisa, ter respeito e reconhecer o trabalho profissional de alguém é outra)… mas Larry (momento coleguinha de primário) mandou muito bem! Primeiro, ele não tem aquele carisma intenso de um icônico John Wayne ou o charme de um Cesar Romero (citando 02 nascidos no mesmo ano, 1907) mas o cara tem presença! Enquanto observava o tipo (e ele tá masculino também, não digo macho, mas, masculino) deu pra encontrar ali o homem por quem Vivien Leigh era loucamente apaixonada (no começo de 1940, eles mudaram o status do seu relacionamento, deixaram de ser amantes, e partiram pra uma sólida parceria na vida e na carreira)… Larry faz do seu Maxim, um cara fácil de se gostar, disposto ao amor, disposto a recomeçar, parece é claro um super homem praquela jovem sem experiência de vida, e mesmo em suas lembranças mais soturnas não fica um tipo carregado… fiquei observando seu bigodinho, muito daora diga-se, levemente acima do canto dos lábios… Larry tá gato e como já comentei num post antes, Isto, Acima de Tudo (curiosamente estrelado por sua partner nesse filme), sobre como as pessoas pareciam ser mais velhas do que eram, parece ter mais idade do que seus 32/33 anos…

A Vida imita a Arte? Frase chavão, mas, não tem como não comentar, porque fiquei bem surpreendido: (spolier) numa cena Maxim conta pra sua jovem enamorada esposa, que sua ex Rebecca, lhe disse que seu casamento ia ser de fachada, ela ia viver como queria (gozar com quem quisesse) e mesmo assim aos olhos dos outros seriam um casal classe A… e ele aceitou! Corta pra 1948! Lembrando que estamos falando de um filme de 1940… Olivier, já muito bem instalado no trono do palco (o melhor do mundo?) inglês escuta no café da manhã, através dos lábios da sua esplendorosa esposa, Vivien Leigh, que “ela já não o amava mais, mas não tinha intenção de se separar, eles iam continuar unidos (o casal real dos palcos ingleses), manteriam um casamento de fachada e ela também poderia gozar com quem quisesse… Vivien (a saber, minha primeira loucura cinematográfica) também era uma pessoa socialmente fascinante, como Rebecca… Larry aceitou a proposta da esposa… ocasionalmente transavam também… no filme ficou viúvo de Rebecca… na vida real viu morrer em vida a mulher que foi o seu grande amor…

Se tu não acredita o problema é só seu… Larry nasceu no dia 22 de maio de 1907, com o 🌞 no finalzinho do signo de ♉ (Touro) e sua parceira Vivien nasceu com ♉ (Touro) se apresentando no seu signo Ascendente… em Astrologia dizemos que uma pessoa tem tal signo forte no mapa, quando ele se apresenta seja no signo solar (signo no qual se encontra o ☀️ na hora do nascimento), signo lunar (onde estava a 🌚) e signo Ascendente… Larry e sua mulher tinham o signo de ♉ forte em seus mapas, ela no Ascendente e ele com o 🌞 já a 29° de ♉, mas, ainda assim um taurino… Vivien e Olivier cumpriram sua saga astral… ♉ quando casa, se casa… é nesse sentido que digo que vivenciaram suas tendências astrológicas… só existem 02 situações que levam gente de ♉ a romper a parceria casamento… a primeira é o sexo (pra taurinos sexo é oxigênio), a segunda é as finanças ($$$ dinheiro é tudo)… o casamento de um taurino/a pode tá uma merda, mas, se a sociedade (casamento) ainda tá gerando grana, e na cama (mesmo que no resto esteja tudo horrível) as coisas funcionam bem… simplesmente não há separação… Larry e Vivien como pessoas com ♉ forte, se apegaram ao status e glamour que a união ($$$) de sua parceria lhes deu, (a década de 50 pode ter sido uma tempestade sem fim no privado, mas, publicamente brilharam intensamente), tu não era ‘alguém’ seja de que meio for, se não tivesse ao menos uma vez sido convidado a passar um fim de semana no castelo do casal Leigh-Olivier na época… e como ele mesmo contou, embora cada um saísse com quem quisesse, mantiveram vez ou outra a carne colada… Tu pode dentro do seu conceito de leigo não acreditar, mas, a Astrologia é uma ótima ferramenta de conhecimento e auto-conhecimento, quem estuda ou trabalha com Astrologia não o faz porque é místico, ao contrário, faz porque na prática ela funciona…

Seguindo… Joan Fontaine com apenas 22 aninhos arrasa coma a jovem romântica, eu digo arrasa porque poderia fazer uma tonta de forma clichê, mas não, seu talento confere dignidade e da estatura pra tal personagem (ingênuas já são bem chatinhas e interpretadas de forma patética, ninguém merece… não é o caso aqui)… tá bonita também, simples, e atraente… tem uma cena em que Maxim pergunta o que ela faz, e ela diz “que é dama de companhia” ao que ele responde “pensava que ninguém devia pagar pra ter uma companhia” e que ela replica “no dicionário companheiro tem significado de amigo do peito…” não é bonito isso? nada mais verdadeiro e eternamente atual… Finalizando, se não, não paro de escrever… a cópia está perfeita (os olhos sorriem), do elenco grandioso, vale destacar a atriz Judith Anderson, a governanta (caso de Rebecca também) e pra quem quiser conferir, eu assisti no YouTube… mas, eu não falei sobre a estória né? Pra quem quiser conferir… bora lá… 🙃

Paulo Alfuns – astrólogo, cinéfilo, pessoa, poeta preto

Sob o signo de ♏

Enquanto me ponho a escrever, o sol continua seu princípio de caminhada no signo de ♏, iniciada no final da noite de ontem… ♏ o 8° signo zodiacal, do elemento água, de ritmo fixo, e um dos mais misteriosos e fascinantes signos da astrologia… ou ao menos um dos que passam essa impressão… ♏ desperta interesse, escorpianos/as costumam causar aquele aaah, quando respondem pra alguém que lhes perguntou, qual o seu signo? O mistério escorpiano é causado pelos próprios nativos que buscam ocultar uma característica marcante da sua natureza através de uma luz esfumaçada onde não permitem ao outro ver o que não querem mostrar… cada um se protege como pode… É desconfiado por natureza, e mesmo após conhecer e se tornar mais próximo/a de alguém, independente do tipo de relação que tenha (amor / amizade /sexo / romance / trabalho/ social) vai estar de tempos em tempos testando o relacionamento… escorpianos/as fazem testes pra verem como está a relação e se é realmente o que parece ser… pra testar um namoro (afeto) pode fazer sua parceira/o se sentir a criatura mais desprezada possível (e descartável)… pra testar sua fidelidade é capaz de joguinhos ultrajantes, e não te respeitará se vc for embora na primeira briga que tiverem (depois das primeiras doses de veneno)… inclua aqui uns bons tapas (e não tenha a ilusão de que isso não vá ocorrer)… seus sentimentos são profundos e se vc vai mergulhar neles, é bom ter idéia da águas pantanosas que está se metendo (em outras palavras = não pensa em brincar com eles)… sempre que um escorpiano/a falar com vc, preste atenção e leve a sério, se vc é mãe/pai/tutor de alguma criança escorpiana/o não mande, peça educadamente a ele/a que faça o que vc está pedindo (não arrume problemas futuros, pq certamente vc vai ter se não souber conduzir logo no início uma boa relação)… a água de escorpião é congelada, suas emoções e lembranças não estão no passado, estão no aqui/agora, por isso que quando eles resolvem tirar alguma história a limpo, mesmo que tenha sido a um bom tempo atrás, eles a vivenciam no presente com a mesma intensidade da época em que aconteceu… qdo cismam com alguma coisa e partem pras provocações e percebem depois que tava td certo, voltam ao seu normal, possuem um faro de detetive, escorpianos/as pegam no ar quando tem alguma coisa errada (não é preciso falar) e qdo conhecem alguém tem o dom de pegar naquela pessoa o que ela não gostaria, isto é, o lado b… escorpianos/as não compram a imagem que vc está querendo lhes vender! é um signo de pessoas altamente sexualizadas, mas, ao que se consta, amar mesmo, é só uma vez na vida… as mulheres desse signo vão estar sempre buscando mudar os homens com que se relacionam… ambos, homens e mulheres são ciumentos e possessivos!

Como pretendo assistir nesse período apenas filmes de natureza escorpiana, são deles que vou estar comentando aqui nos próximos 30 dias…

Paulo Alfuns… poeta, cinéfilo, astrólogo, preto… 💔

Me come, me come… (Oscuro Deseo, 2020)

Na pura ausência de ter o que escrever, vamos de Me come, me come, a série exibida na Netflix, que tem o título original de Oscuro Deseo, e em português, Desejo Sombrio…

(Não espere textão e nem profundidade por que não tô pra isso…)

Me come, me come (nome fictício inspirado pela brisa gélida que me toca a pele) tem sua origem num (sub) gênero de filme que eu adoro, filmes noir… Cinema noir (negro) são filmes em preto e branco (em geral) realizados aos montes nos 1940 / 1950 (suas décadas mais férteis)… noir eram produções mais básicas baseadas em histórias publicadas em livros que também não tinham lá muito glamour, mas, faziam sucesso e vendiam bem… e mostravam a vida como ela é, em estórias que revelavam o outro lado vida, o lado podre (e real)… Num filme noir nada é o que parece ser, personagens complexos de caráter e atitudes ambíguas, com falas regadas a ironia e cinismo, que circulam em climas nebulosos ao encontro de almas que parecem retiradas do inferno dando um rolê na superfície da Terra… o roteiro é labiríntico, como as ruas e avenidas trilhadas pelos personagens que geralmente terminam em becos sujos e sem saída… Oscuro Deseo é puro noir, numa versão em série e transportada na melhor forma para os anos 2020, colorida e com personagens matizados com o glamour que o dinheiro e o status social podem proporcionar… o clima sexual que permeia todo o gênero, outra característica mui marcante, aqui transcende… cenas calientes e muito bem coreografadas de sexo… me come, me come… o sexo aqui, a sexualidade caliente está nas mãos (e partes íntimas) de personagens maduros, e são eles que dão o tom e o ritmo, a excessão fica por conta do amante obscuro e da jovem (sem atrativo erótico algum) envolvida na trama de vingança… a estória: jovem se envolve com mulher casada e se infiltra na sua intimidade (trabalho / família) com ambições maiores e secretas que umas simples trepadas… as ousadas cenas de sexo são pra excitar mesmo, se enroscam bem com o enredo e os atores foram escolhidos pra servirem bem a esse contexto, o marido traído e também traidor é todo exíguo, e durinho (nada do coroa largado), a melhor amiga da heroína faz a linha gata em teto de zinco quente, e a heroína em si faz o tipo sou casada, pareço recatada, mas trepo e gozo legal… um dos personagens mais presente e onipresente é o cunhado… o cara faz e acontece… Sim, em algum momento eu fiquei com raiva de tanta reviravolta, mas, justiça seja feita, a criatividade dos roteiristas se mostrou elástica e versátil em alto grau… Não dá pra finalizar sem mencionar o galã anti herói… é um tipo bonito, gato, e com uma bunda gostosinha… (pêlos pubianos ou nas proximidades, ninguém merece…)

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Paulo Alfuns – astrólogo, cinéfilo, freelancer, pessoa, poeta preto

O Diabo de Cada Dia, 2020

Eu fui pelo título e de alguma maneira pela insistência da própria Netflix em indicar que o filme tava bombando, mas, logo no início me dei conta que não era o filme que eu queria assistir naquela hora, mas, uma vez iniciado, agora era seguir… não me arrependi… aliás, o diabo se arrepende? eu só posso responder por mim… O Diabo de Cada Dia é o filme mais novo do ano, o filme mais novo realizado que assisti até agora no ano pandêmico, e não deixou de ser uma surpresa pra mim que ele estivesse (está) tendo esse alcance, num ano pesado como esse, onde talvez a tendência natural fosse buscar algo mais leve, cômico ou qualquer outro item que desconstruise ao menos por instantes a sombra da realidade fatídica que nos assombra… já de antemão digo que sob meu olhar é o filme que mais fecha comigo no quesito olhar sobre líderes religiosos…

O Diabo aqui é o outro… não é um ser sobrenatural, ou melhor, é o sobrenatural que vive em cada um de nós e que proporciona a quem nos liga, a quem nos relacionamos / conectamos experiências que vão além do bem querer… o diabo é o mal que vive em mim e você e que transcendendo nossas limitações humanas surge na vida do outro o envolvendo em vielas cruas e sinistros bel prazer… só tô dando uma poetizada… o filme: (vou procurar não spoliar) jovem retorna da guerra com todas as deformidades emocionais que só ela pode proporcionar e só quem a vivenciou sabe o inferno que passou… seus traumas estão em si, e vão morrer em si… vida normal? Sim, dentro do possível vai buscá-la, mas, ela não é pra ele, tragado pela dureza que o destino lhe reservou, agora no campo privado (familiar), sucumbe deixando na terra um herdeiro da sua desgraça… O fio da vida é conectado, né? e não há na terra um filho/a da mãe que não tá conectado / ligado a outro/a em seu destino (até aqui só palmas para os roteiristas que não perderam essa premissa) e o destino do jovem herdeiro que carrega em seus genes a saga de uma tragédia famíliar vai viver com sua avó, a mãe original trágica… sim, foi do ventre dela que surgiu aquele jovem herói sacrificado emocionalmente no altar da guerra, e que mãe geraria um filho nessa situação e já com essa predisposição se não fosse a própria genitora do diabo de suas vidas? o herdeiro volta aos seus, ainda criança rebenta, e já com suas próprias cota de horror marcado na alma e seu fio da vida começa a se enlaçar na definitiva loucura dos outros personagens que a si vão se encontrar… voltando a mãe / avó há uma cena em close no seu rosto onde prepara o almoço que revela através de todos as rugas e pés de galinha naturais da atriz (ufa! realidade sem matiz) sua perversidade (interior refletida no exterior), ali naquele momento em rápidos segundos tu vê a na face a crueldade que jamais é externada, mas, é mostrada ao público através da história da sua família, sua gênese… o jovem garoto agora tem uma irmã fruto das surpresas similares que o destino lhe reservou… Crescem sob os olhos de Deus, e esse Deus que seguem vai mostrando a cada um as dívidas a se pagar… e o Diabo? o diabo aqui é só o agente de deus que vem cobrar (mais palmas para os roteiristas)… Diz me com quem tu andas que eu te digo quem é (palavras das escrituras?) não sou religioso, mas, dizem que sim… há aqui a outra variante que vale tanto ou mais e serve pra vida de cada um que habita na terra, e vou me ater a que foi proposta: diz me quem tu segues que eu te digo quem tu és! nossos personagens seguem a um deus delirante (o deus que exige sacrifícios) que colocou na conta deles líderes idênticos a eles numa versão piorada e mais perversa… que tapa na orelha e de mão aberta, o famoso encontro do sapo com o escorpião… alguém lembra da fábula? o escorpião não nega sua natureza, é o que é, e só cai na lábia dele quem quer, o sapo, é o espertinho que acha que pode seduzir o sedutor escorpião pagando de inocente, e mais inacreditavelmente achando que o escorpião vai engolir seu engodo de bom moço (o ingênuo)… a essa altura o filme cada vez melhor, e a minha pequena má vontade de início já toda desvanecida… o sapo são os fiéis (“gente do bem”), o escorpião é o diabo mostrando quem eles são de verdade (afinal o atrairão pra suas vidas, não?) representado pelos líderes que são seguidos… “Aí de ti guias de cegos que em vez de transformarem essas pessoas em algo melhor a fizeram versões piores de vós mesmos” outras das pérolas de sabedoria bíblica (não, não sou religioso, então não peça pra mim reproduzir ao pé da letra aquilo que só os fiéis poderiam fazer)… mas uma sacada brilhante da direção, sendo a beleza como tudo o mais reflexo do exterior, um dos líderes é feito pelo belo (?) Robert Pattinson (o ex vampiro, que tá mais vampiro aqui do que em qualquer sequência da famosa saga anterior)… só que, sua real beleza se desvaneceu por quase completo, ficando apenas uma sombra sinistra do que poderia ser uma beleza verdadeira… sim, o mal transfigura, seu olhar no púbito é um abismo profundo… sua tirada desconhecida até por mim (por mim, um cara não-hétero) de que a um gatilho na garganta que às vezes faz a pessoa vomitar na prática do sexo oral, é um achado)… palavras do (falso) pastor… De tortura em tortura a vida vai seguindo, os destinos dos perversos sendo amarrado… ahhhh, a figura do homem da lei, cúmplice de todos os crimes não poderia ser deixada de lado, figura fácil de todos os sinistros da terra, assim como aquele que é conhecido como o ‘pecado da prostituição’ aqui numa união imperdível como um serial killer, sexo, pornografia, prostituição, arte (fotografia) e assassinatos… que espiral louca!!!!!! Esse é um dos filmes mais vistos na era pandêmica??? eu sou amante do inconvencional, agora, saber que esse filme já é um hit, joga luz nas minha próprias sombras… estamos vibrando na mesma harmonia??? Ual!!!!!!!… Um outro fato interessante e que é bem mostrado, os Estados Unidos, é como o Brasil, é vários e depende de cada região pra ter sua própria realidade, a ação que no final do filme está nos anos 60, mostra o país interiorizado, e esse país não é aquele que conhecemos dos grande centros da mesma época conhecidos como meca da era hippie… E chega, já escrevi muito, quem quiser dá uma conferida por si próprio, abole tudo que escrevi, porque aqui só deixo minha própria opinião e pensamento dos fatos… não acho que é um filme pra um momento como esse, e não querendo pagar de coach emocional, mas, já falando, não recomendo pra quem tá numa fase não legal emocionalmente… e já é…

Paulo Alfuns – astrólogo, cinéfilo, freelancer, pessoa, poeta preto

Rio Babilônia, 1982 e Compasso de Espera, 1969

Eu ja mencionei num outro post que sou desses que acredita que tudo tem sua hora e razão, e como todo mundo, tenho meu próprio ritmo, sigo por ele, e não gosto de me apressar… quem estica demais o passo, pode tropeçar e acabar caindo… eu prefiro continuar seguindo em pé…

Antes de mais nada, quero dizer que não sei o que indicar pra ler, assistir, ouvir (som) nessa época particular que estamos vivenciando, tô tão perdido como qualquer outro, e com a sensação de que tudo ficou muito pequeno nessa era pandêmica… posso comentar sobre o (pouco) que estou assistindo, e só, e é o que vai seguir aqui…

Sábado depois de tempos, decidi assistir um filme… agradecido pela indicação de um colunista do UOL, resolvi conhecer a indicação do canal Legacies of Brazilian, um canal novo no YouTube, com filmes da terra nossa, legendas em inglês, e lançado com o intuito, ao que parece, de que o nosso cinema chegue a um público bem maior…

Parêntesis: aos detratores do nosso cinema, incluindo os que pecam por omissão com relação a cinemateca, tenho 02 palavras a dizer… 1° é o nosso cinema, goste-se ou não, é o que nós produzimos até hoje, tem seus defeitos mas é nosso, e também tem qualidades e particularides que fazem dele um cinema único no mundo… 2° um olhar menos julgador vai bem em qualquer situação ou melhor, em tudo na vida… relaxa e curte…

Seguindo, no intuito de conhecer o Legacies of Brazilian, e seu catálogo anunciado de mais de 400 filmes, dei com a cara na porta do YouTube… uma mensagem avisava: esse canal não existe… Será que cheguei tarde, será que antes de conhecer ou reconectar as delícias da 7° arte brazuca, cancelaram o canal? Que porra é essa?? Não me fazendo de rogado, caçei e encontrei um filme brazuca, famoso de outros tempos, e que passou na tv, mas, não tinha tido vontade de assistir… Porquê não? Porque como escrevi lá encima, tudo tem sua hora e razão… Fui apresentado a um dos mais agradáveis e melhores filmes brazucas que já assisti, sem esperar nada, me foi ofertado muito… Rio Babilônia… na abertura, com um música alto astral (Rio Babilônia ooooooo) vi o nome do Neville D’Almeida (escrevo com a grafia que é apresentado), aquele mesmo (futuro) cineasta citado por mim, na recente narrativa que tinha feito do 1° filme que assisti no ano, também via YouTube, e que dirigiu o clássico (também da foda) cinematográfico A Dama do Lotação… Neville D’Almeida sabe contar uma história… e contar bem!!! Em resumo: a vida em alguns dias de um rapaz, aparentemente freelancer que vai seguir de acompanhante pra um sacana, conhece e se enamora por uma jornalista, fica próximo de uma estrela de cinema gringa e sobe o morro pra fazer um favor pra mesma, vivenciando mais aventuras, se envolve num trois com um casal liberal, e termina o filme na praia com poesia… A história muito bem amarrada (valeu roteirista/as) vai apresentando através do seu personagem-mor uma série de figuras interessantes e interpretados pela gema do cinema brazuca de então… temos Antônio Pitanga, sendo Pitanga (falo isso com base na sua ótima cine-biografia), uma atriz (Pat Cleveland) bonita pagando de estrela, atuando ao lado do eterno bandido da luz vermelha, Paulo Villaça, uma outra atriz também bonita (Tânia Bôscoli) fazendo uma traficante do asfalto, o icônico Wilson Grey, que ao que parece fez tudo quanto é filme brasileiro (e nunca passava batido), Sérgio Mamberti, o típico e ainda atualíssimo político do país (deputado Saraiva), uma profissional de atividade sexual, a estrela Norma Bengell (empurra, empurra, empurra a carrocinha, que a pipoca tá quentinha), o casal liberal, vivido pelo famoso Pedro Aguinaga e a paixão maior da minha adolescência no quesito cinematografia brasileira, Denise Dumont, a jornalista investigativa vivenciada pela Christiane Torloni na cola do bandido de pele e colarinho branco, Jardel Filho… e o passeador ligando todas as cenas e personagens o ator Joel Barcellos… Sim, o filme tem cenas de sexo altamente calientes, e, por isso volto a reafirmar, aqui está a excelente mão do diretor e do roteirista, porque está absolutamente inserida na história que propuseram a contar, nada gratuito, grosseiro ou vulgar (se me surpreendi? Sim, e como não?) Não consigo imaginar atores de agora tão corajosos, despojados e entregues a sua arte como os que fizeram essa obra… Pra quem quiser se aventurar (e o verbo é esse mesmo) caia de boca e sem receio… é cinema de qualidade, com elenco de primeira, roteiro perfeito, nas mãos de um diretor que sabe muito do seu ofício, numa produção classe A… é cinema que não se faz mais… uma das cenas mostra a diferença gritante do que talvez se pudesse fazer na época (e as pessoas iriam rir) e do que hoje viraria um caso de escárnio geral… a pergunta na coletiva da chegada da estrela gringa, feita por um jornalista ousado “você usa calcinha? que cor?)… anos 1980… a cópia em HD esplendorosa, mostra o slogan do canal Brasil… amei ❤️

Seguindo…

Ontem fui de novo atrás da arte curadora, precisava, e tal como um bálsamo, saí fortalecido… não havia desistido do Legacies of Brazilian, não desisti e… eis que o encontrei, dessa vez nada de apertar o link, “e esse canal não existe”… dei uma zapeada, como foi indicado (valeu colunista!), filmes que vem desde 1910 até agora, não estou bem certo se é realmente 400, talvez algum (filme) tenha já saído de cena, a um ou outro vídeo privado, mas logo meu coração já deu um sorriso maior, na lista vejo um dos filmes que mais tenho vontade de assistir (há anos), O Desafio… além dele, outro inédito que muito me interessa, Rainha Diaba… não vi na lista outro que há tempos aguardo, o famoso Todas as Mulheres do Mundo, com a famosa Leila Diniz… tudo tem sua hora, uma hora acontece… o que eu me decidi foi por um filme que não sabia da sua existência, mas, tinha visto recentemente um trecho dele no muito bom Tudo Que é Apertado Rasga… um filme com o ator e cineasta ícone, Zózimo Bulbul… Estou de ‘cara’ até agora… que filme é esse, como eu nunca tinha ouvido falar até agora na sua existência? essa é e sempre foi uma da minha admiração por cinema, a sua capacidade de sempre me surpreender, de me apresentar atores/atrizes, histórias, cineastas que eu não conheço e que de repente, causam aquele ziriguidum na cachola, na mente, no coração… mas não é esse o caso desse Compasso de Espera, o meu desconhecimento aqui beira a ignorância completa, me arrepio enquanto escrevo, gente, nós temos um filme digno de Oscar de Melhor Filme e eu nunca tinha ouvido falar… que novidade é essa que se apresentou diante dos meus olhos?!! Antunes Filho é o diretor, um nome consagrado do… teatro brasileiro!
Quer dizer que um dos maiores nomes do nosso teatro realizou no cinema uma das nossas maiores obras-primas? É isso?? Eu tô e fiquei chocado (surpreendido é pouco!)… o filme: jovem poeta preto (não, não sou eu), Gegé, cheio de valores que incluem os ensinamentos do mestre Martin Luther King, vai mostrando a toda uma sociedade (a que assiste o filme) racista, o que é viver sendo uma pessoa mesmo que pra lá de talentosa numa pele preta, preta retinta… é o filme mais atual feito há décadas atrás que eu já assisti, tá tudo basicamente igual, continuamos a mesma sociedade preconceituosa de outrora… eu não tenho palavras aqui pra descrever o que eu assisti… esse ícone do teatro se revelou um mestre do cinema, isso é trabalho de gênio, um roteiro brilhante, uma fotografia, uma trilha que tem até The Who, um enquadramento que tu só percebe naquelas obras dos grandes e maiores cineastas… enquanto assitia me vinha na mente filmes da época como A Primeira Noite de um Homem (clássico do meu coração), Adivinhe Quem Vem para Jantar, outro clássico da época que estabeleceu o estrelato do grande Sidney Poitier, sendo esse um filme que causou… me arrepia, pra quem se impactou com Adivinhe… (amor interracial em plena época das mudanças radicais do final dos anos ’60 que vieram a moldar e cujos efeitos são a sociedade em que vivemos), precisa conhecer essa obra prima…Compasso de Espera é um dos melhores filmes que eu já vi, é um filme que merece estar sendo exibido hoje em telas de todos os cinemas… foi uma surpresa atrás da outra, a representatividade das pessoas pretas, em seus diferentes papéis dentro da sociedade (a irmã Léa Garcia e a mãe Cléa Simões humildes do herói, seus amigos, incluso aqui, o jovem Pitanga, citado lá encima, e pasmem, um jovem Stênio Garcia arrasando numa ponta como uma gay!!!), a hipersexualização do corpo preto pela jovem (Karin Rodrigues) loira, o caso escondido com uma mulher (Élida Palmer) mais velha e sua busca por vivenciar seu amor por uma jovem da elite (e branca) a atriz Renée de Vielmond (surpresa total ver uma atriz que sempre fui fã, num filme desta altura… a cena do ataque ao casal por seres que de tão abjetos não consigo nem explicitar em palavras os nomes que eles merecem, é uma das mais duras e cruéis já vista, chocante e gritante até hoje, hoje e sempre… Imperdível… Vou parar por aqui, é um clássico oculto que nunca havia sequer ouvido falar…

Não é uma crítica, mas, é um desabafo, toda arte tem seus maiores ou melhor, aqueles que foram eleitos pra representarem tal, se é justo ou não, não vou entrar no mérito, mas quero dizer que lamento que alguns nomes sejam tão incensados e outros como desse cineasta Neville d’Almeida pouco se fala, ou até fala, mas, não se comenta como o cineasta fez um trabalho de primeira, assim como se fala muito pouco também da obra do cineasta Antônio Calmon (diretor de um dos filmes do meu coração Terror e Êxtase) e do cineasta Geraldo Vietri que só descobri sua existência ao pesquisar sobre o muito bom Os Imorais… um dos maiores filmes que eu já vi foi Amante Muito Louca estrelado por uma atriz que deu um show, Tereza Rachel, uma das maiores comédias que eu assisti foi com um ator chamado Mesquitinha, o filme Simão, o Caolho, se fala de muitos ícones da direção, mas, é triste que não se parece reconhecer que quem fez um dos maiores filmes brasileiros, se chama Anselmo Duarte diretor do clássico O Pagador de Promessas… penso eu, que o nosso país é um celeiro de talentos em todas as áreas, mas, falo aqui da artística… toda vez que incensamos muito uma ou outra pessoa, muitas outras ficam na sombra, ocultas, quase como se não existissem, e porquê, se temos tantos talentos pra serem conhecidos ou divulgados ou redescobertos… pessoalmente entre assistir ao clássico total e aquela pérola oculta que ninguém viu ou tem interesse, minha tendência é ficar com a 2° opção… A prova tá aqui, poderia ontem ter assistido a um incensado foderastico, mas, preferi um desconhecido total pra mim… e posso afirmar… me dei bem… é isso…

Paulo Alfuns – astrólogo, cinéfilo, freelancer, pessoa, poeta preto